O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou como uma atitude de “deslealdade” a postura de quem comemorou o aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos, que ele disse atingir produtos brasileiros com alíquota de 25%. Em pronunciamento oficial nesta quinta-feira, o ministro criticou a celebração da medida como contrária aos interesses do povo e do setor produtivo do país.
Sem citar nomes diretamente, Rosa direcionou recados à ala do presidenciável do PL que apoiou o tarifaço em julho de 2025 e, segundo o governo, passou dias depois a tentar negociar nos EUA uma mudança de postura junto a autoridades americanas. O episódio expõe uma fissura na narrativa da oposição e coloca em evidência a influência externa sobre temas sensíveis da agenda comercial.
O ministro afirmou também que os anúncios sucessivos de tarifação — incluindo, segundo ele, atos anteriores que elevaram alíquotas no ano passado — parecem ter objetivo político, com intenção de interferir no debate institucional brasileiro. Na avaliação do governo, parte das medidas americanas carregam mensagem destinada a beneficiar interesses específicos no país, o que, para Rosa, compromete a soberania do processo político nacional.
A reação do MDic marca um endurecimento da resposta oficial e acentua o risco de deterioração das relações comerciais com os EUA. Politicamente, a fala do ministro amplia o desconforto em torno de aliados que apoiaram a pauta protecionista e intensifica o argumento do governo de que a medida tem custo político e econômico interno. A disputa tende a ganhar espaço no debate público e pode obrigar Brasília a mover esforços diplomáticos e comerciais para mitigar impactos sobre exportadores brasileiros.