O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello rebateu nesta quarta-feira (22/7) as declarações do senador Flávio Bolsonaro que colocaram em dúvida a segurança das urnas eletrônicas. Em entrevista ao Correio, Marco Aurélio considerou as alegações infundadas e disse que procurar fraude por essa via é comparável a 'procurar chifre na cabeça de um cavalo' — imagem que, nas suas palavras, ilustra a falta de fundamento das suspeitas.

As críticas de Flávio, feitas em encontro com empresários, repetiram relatos sobre suposto vínculo entre as urnas brasileiras e equipamentos da empresa Smartmatic usados na Venezuela, além de menções a um relatório da CIA sobre vulnerabilidades em sistemas eletrônicos em outros países. O senador também ecoou o discurso que vinha sendo praticado por Jair Bolsonaro durante a Presidência, ataque ao qual, no noticiário, se atribuiu custo político ao ex-presidente.

O Tribunal Superior Eleitoral respondeu prontamente, classificando como falsas as mensagens que ligam a Smartmatic às urnas brasileiras e lembrando que tanto o hardware quanto o software são concebidos e geridos pela própria Justiça Eleitoral. Marco Aurélio, que presidiu o TSE em eleições iniciais com urnas informatizadas, recordou a resistência inicial ao sistema em 2006 e questionou se houve alguma impugnação séria contra a urna: não houve, segundo ele.

Do ponto de vista político, a retomada dessas acusações sem provas reacende desgaste institucional e alimenta desconfiança sobre o processo eleitoral, obrigando a Corte a reiterar sua defesa técnica. A declaração de um ex-presidente do TSE acrescenta autoridade à réplica, mas não apaga o efeito prático: ataques repetidos às urnas cobram energia institucional e podem custar credibilidade ao debate público.