O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) usou sua pregação no 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, em Balneário Camboriú (SC), para transformar um ato religioso em demonstração pública de apoio à família Bolsonaro. Feliciano afirmou que o clã é 'ungido por Deus' e convocou a plateia a orar pelo ex-presidente e pelos filhos.
Durante o discurso, o deputado direcionou elogios a Carlos Bolsonaro, presente no evento e anunciado como aposta do PL para o Senado em Santa Catarina. Feliciano disse que o eleitorado catarinense já acolheu o filho 03 do ex-presidente, numa fala que reforça a narrativa de transferência de base eleitoral usada por Carlos ao mudar seu domicílio do Rio para o Sul.
O parlamentar classificou como 'injustiça' a prisão do ex-presidente — atualmente em prisão domiciliar cumprindo pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado — e afirmou que ora por Jair Bolsonaro. A plateia acompanhou em uníssono a corrente de oração, sinalizando a confluência entre pastores influentes e a militância bolsonarista.
O episódio ganha relevo político: a benção pública de figuras religiosas consolida o núcleo duro do bolsonarismo em estados-chave como Santa Catarina e soma-se a outro apoio público naquele dia, quando o pastor Silas Malafaia declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Juntos, os gestos reforçam uma estratégia de mobilização da base religiosa do PL para 2026.
Ao mesmo tempo, a visibilidade desses apoios traz trade-offs eleitorais. A articulação pode ampliar a coesão do eleitorado bolsonarista no curto prazo, mas também reforça a identificação do partido com lideranças controversas, o que tende a limitar a margem de atração de eleitores independentes e testar a capacidade do PL de expandir sua frente além dos círculos fiéis.