O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) publicou um vídeo afirmando que o senador Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos para pedir asilo político. Marcon comparou a situação à da opositora venezuelana María Corina Machado e imputou a mudança de rota a uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, que — segundo ele — teria expedido restrição de viagem minutos após o resultado eleitoral. Trata‑se, até o momento, de alegação do parlamentar; a Polícia Federal informou apenas que Flávio não entregou os passaportes no prazo e que os documentos foram cancelados.

Além da acusação em si, o episódio tem imediata dimensão política: Marcon usou a gravação para cobrar que senadores da oposição revelem publicamente seus votos e apoiem Rogério Marinho (PL-RN) ou outro nome do bloco, em substituição a Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP). A mobilização expõe uma tentativa de transformar um episódio pessoal — verificado apenas pela narrativa do aliado — em instrumento de pressão eleitoral sobre a disputa pela presidência do Senado.

Do ponto de vista institucional, a versão de Marcon acende alerta sobre a escalada retórica entre aliados do senador e o Judiciário, e pode complicar a narrativa da oposição ao misturar alegações de perseguição política com uma disputa interna que depende de votos fechados. Se confirmadas, denúncias de busca de asilo e de saída do país teriam impacto reputacional e legal; enquanto isso, a falta de confirmação independente deixa o tema no campo da disputa política e aumenta a pressão sobre parlamentares que precisarão justificar posições.

A cena realça a volatilidade do momento: a oposição tenta consolidar apoio no Senado enquanto episódios como este alimentam desconfiança e exigem respostas oficiais. Senadores convocados por Marcon enfrentam, agora, escolha entre manter o sigilo político ou ceder à pressão pública — uma decisão com efeitos concretos na composição da Mesa e na correlação de forças para os próximos meses.