A deputada Maria do Rosário (PT-RS) classificou nesta quarta-feira a iniciativa da oposição que defende o modelo 4x3 como manobra política destinada a desgastar e fragmentar o processo de aprovação do fim da jornada 6x1. Segundo a parlamentar, a bancada governista avalia aprovar ainda esta semana uma PEC que estabelece dois dias de descanso semanal para trabalhadores submetidos hoje ao regime 6x1.

O episódio ganhou força depois do anúncio do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), de que o partido apoiaria o fim da escala 6x1, mas apresentaria destaque propondo o esquema quatro dias de trabalho por três de folga. A movimentação surpreendeu membros da base e ampliou a disputa em torno do texto negociado entre governo, centrais sindicais e parlamentares, apontando risco de divisão no plenário e dificuldade prática para o fechamento da proposta original.

O acordo em construção, relatado pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA), prevê migração automática para o regime 5x2 em até 60 dias após promulgação, com redução da jornada de 44 para 42 horas no primeiro ano e para 40 horas até 2027, sem diminuição salarial. A avaliação oficial é que categorias com jornadas específicas, como plantonistas ou profissionais em 36 horas, manteriam regras próprias e poderiam negociar ajustes diante das peculiaridades operacionais.

Do ponto de vista político, a defesa pública do 4x3 pela oposição funciona como pressão sobre a coalizão e expõe contradição tática: ao mesmo tempo em que declara apoio ao fim do 6x1, propõe alternativa que tende a disperse votos e adiar o acordo. Resta acompanhar se a base conseguirá consolidar o texto nesta semana ou se a disputa interna e os destaques apresentados por partidos como o PL complicarão a tramitação no plenário.