A vice-líder do PT na Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), reagiu com duras críticas à saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil com destino aos Estados Unidos. Para a parlamentar, o deslocamento tem aparência de tentativa de se esquivar de responsabilizações relacionadas a apurações em curso e reproduz um padrão que, na avaliação dela, já marcou a atuação da família Bolsonaro.

Fontes ouvidas pelo Correio indicam que o senador deixou o país acompanhado da esposa e das filhas. A notícia sobre a viagem ganhou repercussão na terça-feira, e a equipe de reportagem tentou contato por chamadas e mensagens via WhatsApp sem obter retorno: o aparelho do parlamentar apareceu fora de área. Até o momento, Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre o episódio.

Do ponto de vista político, a saída alimenta a narrativa de adversários e amplia desgaste sobre o parlamentar e sobre o próprio PL, ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre efeitos práticos nos desdobramentos judiciais. A reação de Maria do Rosário coloca pressão adicional sobre aliados e sobre a estratégia do senador para enfrentar eventuais investigações, sem, contudo, alterar o caráter provisório do quadro até que decisões judiciais sejam tomadas.

A questão passa a ser, segundo observadores, não apenas jurídica, mas política: a falta de esclarecimentos pode ampliar a percepção de risco e transformar uma viagem em elemento de desgaste eleitoral e institucional. A oposição tende a explorar a saída como argumento para ampliar cobrança por transparência, enquanto o Senado e a Justiça acompanharão os próximos passos para avaliar eventuais implicações processuais.