A ex-ministra Marina Silva oficializou neste sábado sua permanência na Rede Sustentabilidade e colocou o nome à disposição para disputar a segunda vaga ao Senado por São Paulo. A pré-candidatura será viabilizada pela federação em que a Rede integra o bloco liderado pelo PSol e prevê composição de chapa ao lado de Simone Tebet (PSB). No comunicado, Marina reafirma alinhamento ao campo político que define como democrático, popular e sustentabilista e declara apoio às campanhas de Lula e de Fernando Haddad em São Paulo.
O anúncio coincide com uma disputa interna da legenda: o segmento identificado como "Rede Vive", ligado a Marina, saiu vitorioso na Justiça ao obter a anulação do 5º Congresso Nacional que havia consolidado a atual direção. A nota da ex-ministra cita ainda a saída de lideranças consideradas relevantes — incluindo o físico Ricardo Galvão, as deputadas estaduais Marina Helou, Ana Paula e Chió, a vereadora Marina Bragante e a liderança indígena Joenia Wapichana — como sinal da profundidade da crise interna.
Marina afirma que permanece na Rede para tentar resgatar os princípios e valores que motivaram a criação da legenda.
Do ponto de vista político, o movimento cumpre duplo propósito: por um lado, tenta preservar a presença de um nome com perfil ambientalista e de centro-esquerda na chapa de São Paulo, ampliando o apelo do campo ao eleitorado preocupado com clima, democracia e questões sociais; por outro, expõe fragilidades organizacionais. A contenda judicial e a divisão interna podem comprometer a capacidade de mobilização, arrecadação e coordenação local, elementos essenciais em um estado decisivo para a correlação de forças nacional.
A escolha de Marina para a segunda vaga no Senado em uma chapa que tem Simone Tebet como cabeça é estrategicamente simbólica: busca atrair eleitores moderados, setores ambientalistas e parcela do eleitorado antifragmentado, contribuindo para a narrativa de amplitude da federação. Ainda assim, a eficácia dessa estratégia depende de dois fatores óbvios: resolução rápida da disputa interna para evitar ruídos nas urnas e capacidade de traduzir visibilidade em estrutura eleitoral nas principais regiões do estado.
Na prática, a decisão acende um alerta sobre o estado de maturidade política da Rede: permanecer no partido com a missão de recuperar princípios fundadores é uma aposta em recomposição interna, mas também amplia a pressão sobre a atual direção para negociar prazos, candidaturas e calendário. Resta ver se a sinalização pública de permanência e a pré-candidatura servirão para somar na campanha de Lula e Haddad em São Paulo ou se a disputa intra‑partidária reduzirá o potencial agregador da iniciativa.
A ex-ministra relaciona a decisão à defesa da democracia, da sustentabilidade e ao papel decisivo de São Paulo na cena política nacional.