O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, acelerou o confronto entre setores do Legislativo e o Supremo ao afirmar que os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino “têm se comportado... com o viés político”. A declaração, feita após visita ao presidente do STF, Edson Fachin, veio acompanhada de proposta prática: alterar o regimento do Senado para que um pedido assinado por 49 senadores seja obrigatoriamente submetido à procuradoria da Casa e, caso haja elementos, seja aberto independentemente da vontade do presidente do Senado.

Marinho também estendeu a crítica à Advocacia-Geral da União, acusando o ministro Jorge Messias de atuação partidária ao pedir investigação sobre suposta interferência externa nas eleições, com base em reportagem estrangeira. Para o senador, há um “aparelhamento da máquina pública” e decisões que, na visão dele, estariam sendo tomadas com motivação política em um ano eleitoral.

A iniciativa política tem consequências claras: trata-se de um sinal de endurecimento da ala bolsonarista no Congresso para pressionar o Supremo e reduzir a margem de manobra institucional do presidente do Senado. A proposta de obrigatoriedade, se levada adiante, altera um instrumento procedimental que hoje funciona como filtro contra pedidos frívolos — e pode transformar impeachment em arma política mais frequente. Em ano pré-eleitoral, esse tipo de movimento acende alerta sobre aumento da polarização e risco de desgaste institucional.

Do ponto de vista jurídico, a proposta enfrenta limites. Crime de responsabilidade é conceito que depende de prova e de avaliação técnica; forçar abertura automática de processos pode gerar ocupação excessiva da máquina judicial-legislativa e produzir efeitos contrários aos que se pretende, como banalização de pedidos de impeachment. Há também custo político: ampliar essa via pode provocar reação do Judiciário e alimentar narrativa de cerceamento institucional entre magistrados e parte do Parlamento.

No plano político imediato, a investida de Marinho compõe estratégia dupla: pressionar adversários e marcar posição como articulador da campanha presidencial a que está ligado. Ao criticar ainda a discussão sobre a proibição da escala 6x1 no Senado como “oportunista” e “eleitoreira”, o senador tenta deslocar o debate público e cobrar prioridade de pautas com potencial eleitorais distintos. Resultado prático: a declaração força respostas do STF, do Senado e do Executivo, e contribui para ampliar a tensão institucional num momento em que a estabilidade de regras e procedimentos deveria ser preservada.