O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou em coletiva que não há provas para sustentar a acusação de fraude eleitoral feita pelo ex-candidato. Marinho comentou ainda a publicação e a rápida alteração de uma carta divulgada na rede X, que chegou a se referir a Flávio como um tipo de presidente e depois passou a descrevê-lo como líder político.

A confissão pública do coordenador do PL marca um desencontro entre a retórica lançada por Flávio — que partiu do país rumo aos Estados Unidos após a derrota — e a capacidade do partido de sustentar questionamentos ao resultado. No segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva obteve cerca de 64 milhões de votos contra pouco mais de 59 milhões de Flávio; a extensão de duas horas no horário de votação adicionou 34.393 votos, segundo o TSE, que reconheceu e validou o pleito.

Marinho tentou enquadrar a carta como um desabafo decorrente da decisão de Flávio de deixar o país e argumentou que ele poderá liderar a oposição mesmo do exterior. O coordenador também qualificou o ex-candidato como um tipo de exilado, embora a saída tenha ocorrido de forma voluntária em um avião fretado que decolou da Argentina, com apoio do governo local, segundo relatos. Flávio enfrenta também investigações relacionadas a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e ao financiamento do documentário Dark Horse; no ano que vem perderá o foro privilegiado.

Do ponto de vista político, a admissão de ausência de provas pelo líder do PL acende alerta e amplia desgaste: expõe contradição entre a estratégia de delegitimar o resultado e a realidade processual e eleitoral, e complica a narrativa oficial do partido. A posição remete a um dilema prático para a sigla — distanciar-se de afirmações sem lastro ou manter alinhamento com um líder que operará desde o exterior — com impacto direto na capacidade de articulação, na credibilidade perante o eleitorado e na preparação para 2026.