O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (7/5), em audiência pública na Assembleia Legislativa da Paraíba, que o Brasil já reúne condições econômicas e produtivas para avançar na redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Ao dizer que o país “está atrasado” na devolução de parte dos ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas, o ministro colocou a pauta no centro do debate sobre a transição tecnológica e as políticas laborais.

Marinho vinculou o argumento ao salto de produtividade provocado pela automação e pela modernização industrial, citando o agronegócio como exemplo de transformação que elevou produção, competitividade e ganhos ambientais. Segundo ele, o desafio é ampliar esse avanço de forma homogênea, incluindo setores ainda marcados por maquinário obsoleto e condições precárias. O ministro também destacou medidas federais de incentivo à renovação industrial e linhas de financiamento voltadas à atualização tecnológica.

No plano institucional, Marinho fez um alerta contra a pejotização, classificada por ele como potencial retrocesso se as interpretações em discussão no Supremo Tribunal Federal prosperarem. A defesa do emprego formal passa, na sua avaliação, pela manutenção da CLT como pilar de financiamento de mecanismos como FGTS, FAT e o Sistema S — argumentos que mobilizam tanto sindicatos quanto setores empresariais contrários a mudanças que aprofundem a informalidade.

A proposta de reduzir a jornada sem corte salarial tem evidente apelo social, mas esbarra em complexidades políticas e econômicas: distribuição de ganhos, custos para empresas, desenho de incentivos e articulação legislativa. O recado do ministro acende um alerta para o governo — que terá de transformar diagnóstico em roadmap prático — e complica a narrativa diante de empregadores e do Judiciário se faltarem propostas concretas. Em suma, a pauta promete intensificar a disputa entre incentivos à modernização produtiva e garantia de direitos trabalhistas.