O ministro do Trabalho, Luís Marinho, cobrou nesta segunda-feira agilidade ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, para que o Senado analise com rapidez a PEC que extingue a escala de trabalho 6x1. O pedido foi feito após reunião entre Marinho, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o relator Léo Prates e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando definiram pontos do texto a ser apresentado na Câmara.

Pelo desenho acordado, a proposta prevê uma redução gradual da jornada semanal: uma diminuição inicial de duas horas a ser implementada em até 60 dias após a promulgação da nova regra e, depois de um período de 12 meses, a adoção de uma jornada máxima de 40 horas semanais. Na Câmara, a PEC será discutida em comissão especial e, se aprovada, seguirá para votação em plenário; em caso de aprovação pelos deputados, seguirá ao Senado para análise.

Apesar da popularidade da proposta entre setores dos trabalhadores, interlocutores do Planalto admitem risco de atraso na tramitação no Senado. Esse receio decorre do entendimento de governistas sobre um distanciamento entre Alcolumbre e o presidente Lula, em especial após a resistência do senador à indicação de Jorge Messias para o STF — postura em que Alcolumbre chegou a defender a escolha de Rodrigo Pacheco.

A cobrança pública de Marinho acende alerta para o governo: travar a PEC no Senado pode transformar uma medida de apelo social em custo político para a base. Ao mesmo tempo, adiamentos ou manobras regimentais por parte da presidência do Congresso complicariam a narrativa oficial sobre capacidade de entrega do Executivo. O caso coloca Alcolumbre no centro de uma disputa que mistura agenda trabalhista e cálculo político, com impacto direto na percepção pública sobre prioridades legislativas.