O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta quarta-feira que não existem provas de fraude nas eleições de 2026 e que o partido não pode sustentar essa alegação sem evidências. A posição do senador surge horas após a divulgação de uma carta de Flávio Bolsonaro (PL) em que o candidato chegou a se declarar, numa primeira versão, o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Marinho disse não ter conhecimento prévio da carta e associou o documento a um “desabafo” do candidato. “Se você quer desabafar, isso não é crime”, afirmou, ao comentar as diferentes versões do texto — uma versão revisada passou a intitular Flávio como “líder do Brasil”. O líder também sugeriu que as variações sejam fruto de uma “confecção da carta”.
O senador acrescentou que, mesmo sem mandado de prisão, Flávio vive situação de exílio político, argumentando que ele “não tem condições de continuar no Brasil sob pena de ser preso pelo simples fato de ter ousado ser candidato”. Flávio passou a manhã no exterior; o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não pretende se envolver no caso. Marinho defendeu que “quem tem que resolver os problemas do Brasil são os brasileiros”.
Politicamente, a divergência entre a retórica de Flávio e a posição oficial de um dos líderes do PL acende alerta sobre a coesão do partido e complica a narrativa da campanha. A carta também traz um pedido de apoio a Marinho para a Presidência do Senado, hipótese que ele disse só confirmar após deliberação partidária marcada para 4 de novembro, sinalizando que o episódio terá desdobramentos internos e eleitorais nos próximos dias.