Rogério Marinho, ex-coordenador da campanha do ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, disse ter sido surpreendido pela decisão do aliado de viajar para os Estados Unidos. Segundo Marinho, eles se reuniram até as 16h do dia 26 e trataram da necessidade de o senador agradecer os quase 60 milhões de votos do segundo turno. Na manhã seguinte, Flávio teria enviado mensagem informando que tiraria um tempo, sem avisar sobre uma viagem internacional.

O ex-coordenador afirmou não ter confirmação oficial sobre o paradeiro do senador, mas reportagens e fontes da Polícia Federal apontaram que Flávio embarcou em um voo fretado rumo a um país da América do Norte. A saída ocorre após pedido da PF ao Supremo Tribunal Federal e a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a apreensão dos passaportes do parlamentar, medida justificada pelo risco de fuga.

Marinho criticou a decisão de Moraes, dizendo que a medida parece configurar etapa de uma ação 'mais persecutória' — avaliação que ecoa na cúpula do grupo político, mas que também expõe contradições. A situação cria um vácuo de liderança em um momento sensível para a oposição e fragiliza a narrativa pública do entorno do senador, que até então vinha sendo posicionado como cabeça de chapa e referência para parte do eleitorado.

Do ponto de vista institucional, o episódio reforça a atuação das forças de segurança e do Judiciário diante do risco apontado pela PF. Politicamente, a fuga confirmada pela PF amplia desgaste e complica a estratégia do bolsonarismo: há custos reputacionais e operacionais imediatos — desde a necessidade de reorganizar a liderança da campanha até a escalada de litígios jurídicos. Resta ver como aliados reagirão e se a movimentação aumentará a pressão sobre os próprios apoiadores.