O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), voltou a defender a PEC 12/2026 — apresentada por ele no fim de maio — e atacou a tentativa do governo de transformar a discussão sobre a redução da jornada em tema de campanha. Em reunião da Frente Parlamentar Mista pelo Livre Mercado, Marinho afirmou que sua proposta não atinge os direitos previstos no artigo 7º da Constituição e que a narrativa oficial tem exagerado o impacto da iniciativa.
A PEC do senador não impõe a redução automática da jornada para 40 horas semanais, como prevê a proposta alternativa do deputado Reginaldo Lopes (PEC 221/2019), apoiada pelo Executivo. Em vez disso, o texto de Marinho privilegia mecanismos de compensação e acordos — individuais ou coletivos — para adaptar a rotina de trabalho. O parlamentar também ressaltou que formas de negociação já existem desde 2017, quando houve a reforma trabalhista.
O ponto principal da crítica é o ritmo imposto pelo governo: Marinho compara o prazo sugerido pela equipe ministerial — 60 dias para implementação — com experiências na América do Sul, citando Chile, Colômbia e Argentina, onde a transição levou anos. Para ele, a pressa tem motivações eleitorais e prejudica um processo técnico que exige adaptação gradual conforme tipos de vínculo e setores econômicos.
Ao colocar a redução da maioridade penal como tema mais 'maduro' do que a alteração da escala 6x1, Marinho sinaliza uma estratégia política: deslocar o debate para pautas de fácil apelo eleitoral enquanto questiona a consistência técnica da proposta governista. A PEC sobre maioridade já avançou na CCJ do Senado e aguarda análise em Plenário, mas o calendário legislativo e o recesso eleitoral reduzem a probabilidade de deliberação ainda em 2026.
A batalha sobre a jornada concentra riscos políticos para o governo. A pressa e a uniformização da medida podem provocar reação de diferentes setores produtivos e sindicais, além de expor divergências dentro da base aliada. Para a oposição, a identificação de inconsistências técnicas e de calendário oferece espaço para ampliar a contestação pública e pressionar por um debate mais longo e estratificado.