O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou, após reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que o Senado “não ficará omisso” diante de eventuais crimes de responsabilidade praticados por ministros da Corte. Marinho — que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência — imputou viés político a ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino e saiu do encontro defendendo alteração no regimento do Senado para tornar mais difícil o arquivamento de pedidos de impeachment contra magistrados.
O parlamentar propôs que, uma vez apresentado um pedido por 49 senadores, a iniciativa seja automaticamente enviada à Procuradoria do Senado e, se houver elementos suficientes, o processo seja aberto independentemente da discricionariedade do presidente da Casa. A sugestão busca reduzir a margem de manobra do comando da Casa e transfere pressão para ritos formais — um movimento que, na visão do autor, evitaria omissão, mas que também institucionaliza um mecanismo de maior politização contra membros do Judiciário.
Marinho aproveitou a saída para criticar também o ministro Jorge Messias, da AGU, por ter solicitado investigação sobre suposta interferência externa nas eleições com base em reportagem do jornal The Guardian. O senador colocou a questão como exemplo do que considera contornos partidários em ações que, segundo ele, deveriam preservar neutralidade. O episódio torna explícita a tensão entre setores do Executivo, do Legislativo e do Judiciário no pós-primeiro turno.
O recado tem pano de fundo eleitoral e parlamentar: o resultado do primeiro turno redesenhou a correlação de forças no Senado e deixou a Corte sob pressão. Dos 54 senadores eleitos no domingo, ao menos 30 declararam apoio à abertura de processos de impeachment; o PL terá 28 parlamentares na próxima legislatura e busca aliados para chegar aos 54 votos necessários. O ministro Alexandre de Moraes é o principal alvo dessa ofensiva, que ganhou combustível após a divulgação de documentos ligados ao caso Master e às suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro.
A iniciativa de Marinho acende alerta sobre a escalada institucional: propostas regimentais e movimento parlamentar para impeachment ampliam desgaste do STF e complicam a narrativa oficial de independência entre Poderes. Se transformadas em regras, essas mudanças podem transferir à política mecanismos que hoje passam por avaliação técnica, elevando o risco de confrontos e exigindo respostas administrativas e jurídicas do Supremo — além de sinalizar que a disputa eleitoral de 2026 será travada também dentro do funcionamento do Congresso.