O deputado federal Mário Frias (PL-SP) reagiu em redes sociais à operação da Polícia Federal que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Frias afirmou que a emenda de R$ 2 milhões citada na apuração foi destinada a projetos esportivos e de letramento digital e que os repasses e planos de trabalho constam no Portal da Transparência. O parlamentar também queixou‑se de que a defesa ainda não teve acesso ao inquérito e criticou o modo como a ação foi conduzida.

A PF, no entanto, descreve nos autos indícios de que documentos relacionados a contratos pagos com recursos de emendas parlamentares podem ter sido produzidos após as contratações, com o objetivo de dar aparência de regularidade às operações. O relatório menciona a possibilidade de retrodatação de arquivos e de justificativas criadas ex post, e relata que essas circunstâncias motivaram a ação policial e as diligências.

O episódio põe em foco o controle sobre o destino de emendas e a fiscalização de despesas no ano eleitoral, criando desconforto para aliados do ex‑presidente. Para a oposição e para parte da sociedade, as suspeitas levantadas pela PF reforçam dúvidas sobre a adequação dos mecanismos de transparência; para a base governista, a operação alimenta a narrativa de que procedimentos administrativos seriam suficientes para esclarecer as aplicações.

Frias ressaltou que emendas não transitam pela conta do parlamentar, mas vão ao órgão executor, que aprova o plano de trabalho e fiscaliza prestação de contas, e defendeu que eventuais irregularidades deveriam ser tratadas com documentos, não com apreensões em ano de eleição. O desfecho dependerá do acesso da defesa ao inquérito, da análise técnica dos pareceres da CGU e da capacidade das instituições de demonstrar, com provas, regularidade ou irregularidade nas contratações.