O deputado Mario Frias (PL-SP) viajou aos Estados Unidos para cumprir agenda em Dallas, no Texas, sem que o pedido de autorização tenha sido formalmente despachado pela Presidência da Câmara, informaram fontes ao Correio. A Mesa declarou que a viagem não gerou ônus ao Legislativo, mas a ausência do trâmite oficial abriu espaço para questionamentos sobre o cumprimento das normas internas.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que, durante a estadia, Frias teve contatos relacionados a uma eventual articulação para promover um encontro entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Donald Trump, ao lado de Eduardo Bolsonaro. A assessoria do deputado nega que houvesse esse objetivo e sustenta que a participação foi em um evento sobre segurança pública.
O pedido de esclarecimento sobre a viagem foi encaminhado ao Supremo pelo ministro Flávio Dino. A Corte solicitou informações sobre duração, custos e o documento de autorização assinado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo apuração, Motta prepara resposta ao ministro, o que coloca a Presidência da Casa sob pressão institucional.
O regimento interno exige que parlamentares comuniquem à Câmara, por intermédio da Presidência, a natureza e o tempo estimado de afastamento do território nacional. A falta desse despacho formal, mesmo quando não há verba pública envolvida, fragiliza a rotina de controle e expõe o Parlamento a questionamentos sobre transparência e precedentes para futuras viagens de deputados.
Politicamente, a controvérsia aumenta o escrutínio sobre tentativas de aproximação entre parlamentares do entorno do presidente Jair Bolsonaro e atores internacionais. A disputa de versões — fontes que apontam articulação e a assessoria negando a ação — tende a prolongar o desconforto para Frias e a gerar esforço de contenção na Presidência da Câmara, que precisa responder ao Supremo e recompor o procedimento interno.