O advogado e ex-juiz Marlon Reis anunciou nas redes sociais seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A declaração, sustentada em “convicção democrática, respeito à Constituição e compromisso com a verdade jurídica”, combina apelo jurídico e político e ganha relevância porque Reis foi um dos motores da Lei da Ficha Limpa, símbolo da agenda anticorrupção no país.
Na mensagem, o jurista rechaçou a ideia de figura do “descondenado” como construção política usada para deslegitimar decisões judiciais e lembrou que a Constituição determina que ninguém é culpado antes do trânsito em julgado. Reis também registrou críticas ao adversário Flávio Bolsonaro, definindo-o como representante de um projeto que, segundo ele, demonstra “desprezo pelas pessoas que mais precisam de um Estado atuante e comprometido com as causas sociais”.
O peso do gesto não é apenas simbólico. Como autor e mobilizador da Ficha Limpa, Reis carrega credibilidade entre eleitores sensíveis à moralização da política. Sua posição pode ajudar a corroer tentativas do campo opositor de transformar argumentos jurídicos em arma eleitoral contra Lula — sobretudo a narrativa de que o ex-presidente teria uma condenação penal definitiva, ponto que Reis procurou desfazer.
Politicamente, a declaração amplia pressão sobre o bolsonarismo ao forçar um recuo ou uma reprecificação da estratégia de rotular adversários com termos jurídicos imprecisos. Para o PT, é munição útil na disputa por eleitores moderados e indecisos; para a oposição, representa mais um desafio na comunicação jurídica e eleitoral nas semanas finais da campanha.