Eduardo Bissoto, marqueteiro ligado ao MBL e ao Partido Missão, passou a ser alvo de acusações de racismo depois que um trecho de sua transmissão ao vivo voltou a circular nas redes. Na reação a um lance do amistoso entre Brasil e Egito, no dia 8 de junho, ele se referiu ao atacante Vini Jr. como “mono”, termo em espanhol cujo sentido literal é “macaco” — expressão já usada em ataques racistas contra o jogador enquanto atua no futebol espanhol.

Embora a transmissão original não esteja mais disponível nos perfis do próprio Bissoto, o corte do comentário se espalhou e gerou reação imediata nas redes. Em postagem posterior, o marqueteiro rejeitou a ideia de pedir desculpas públicas e indicou que responderá na justiça aos que o acusam, classificando os ataques on-line de perseguição. A postura de defesa e a ameaça de medidas judiciais intensificaram a polarização em torno do caso.

Aliados se mobilizaram em apoio. O deputado estadual Guto Zacarias sustentou que conhece Bissoto e defendeu sua índole, enquanto o influenciador Jota argumentou que a palavra é usada coloquialmente para criticar comportamentos, não como ataque racial. Essa linha de defesa tem sido contestada justamente pela carga simbólica do termo no contexto dos abusos recentes contra Vini Jr., o que dá ao episódio impacto além da ofensa isolada.

Do ponto de vista político, o episódio acende alerta para o MBL e para o Partido Missão: a vinculação de um nome da comunicação a linguagem com potencial racista representa risco reputacional e pode ampliar desgaste entre eleitores e aliados. Há também dimensão legal e institucional — a queixa pública e a circulação do vídeo podem ensejar processos e exigem posicionamento claro das siglas que o abrigam. A situação merece acompanhamento: o caso traduz, em microescala, o conflito entre liberdade de expressão e limites do discurso público quando envolve símbolos raciais e figuras de grande visibilidade.