Em nova reviravolta do escândalo do banco Master, o advogado José Luís Oliveira Lima deixou a defesa de Daniel Vorcaro nesta sexta-feira, no mesmo período em que a Polícia Federal rejeitou a proposta de delação apresentada pelo empresário. A saída do profissional — conhecido por negociar acordos de colaboração — sinaliza um recuo nas tratativas com investigadores e amplia a incerteza sobre a possibilidade de uma colaboração premiada que agregue informações relevantes ao caso.

Lima, cuja trajetória inclui atuações de destaque em acordos firmados durante a Operação Lava-Jato, vinha conduzindo a estratégia de defesa que, segundo fontes, buscava fortalecer o diálogo com a Procuradoria-Geral da República. Procurado pelo Correio, o advogado não respondeu aos questionamentos; a saída, segundo interlocutores, teria ocorrido ‘de comum acordo’. O fato, porém, pode indicar uma estagnação das negociações ou divergência sobre os termos oferecidos ao cliente.

Fontes que acompanham o caso relatam que Vorcaro passou a considerar ampliar o escopo da colaboração após semanas de prisão, deixando de priorizar inicialmente a preservação de aliados. Entre as possibilidades apresentadas ao Ministério Público estaria o aumento do valor da multa pelos prejuízos causados — um movimento que poderia intensificar o apelo à PGR para validar um acordo mais amplo. Com a recusa inicial da PF, porém, esse caminho fica mais tortuoso e dependente da análise final da Procuradoria.

A questão prisional também ganhou destaque nesta semana. O ministro André Mendonça determinou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da PF, ao negar o pedido de substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar — pedido que a PGR havia recomendado ser indeferido, citando riscos à investigação e à segurança das apurações. A defesa havia reclamado das condições da cela comum para a qual ele foi transferido, descrevendo problemas de ventilação, iluminação e higiene; o Ministério Público sugeriu, como alternativa, manutenção em alojamento anterior ou transferência ao 19º Batalhão da PM (o chamado “Papudinha”).

Do ponto de vista político e judicial, a combinação entre a recusa da PF, a hesitação da defesa e a saída de um advogado especialista em delações acende um alerta institucional. O episódio complica a narrativa da responsabilização e pode postergar a obtenção de informações que auxiliem na responsabilização de envolvidos e na reparação de danos. Para investigadores e para a sociedade, a principal consequência é o prolongamento da incerteza: sem um acordo fechado, a investigação perde um instrumento potencialmente decisivo e o caso tende a se arrastar, com impacto sobre a credibilidade do processo e pressão adicional sobre a PGR e a própria Polícia Federal.