A ofensiva da Polícia Federal que atingiu o entorno do Banco Master ganhou um novo capítulo com a denúncia do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Em negociação de delação premiada, Costa afirma possuir mensagens, documentos e registros que vinculam diretamente o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, às ordens para autorizar operações financeiras entre o BRB e o Master. Segundo apurou a reportagem, ele se oferece a “traduzir” comunicações cifradas e a apontar para onde parte dos recursos pode ter sido remetida ao exterior.

O caso integra desdobramentos da chamada Operação Compliance Zero, que já levou a mandados contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República têm ampliado o foco para além do Master e do Rio: fundos de previdência estaduais e institutos públicos em diferentes unidades da Federação estão sob escrutínio por aplicações em produtos do banco. No Distrito Federal, chama atenção a aquisição pelo BRB de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados problemáticos da instituição ligada a Daniel Vorcaro.

A lista de operações questionadas inclui aportes expressivos que agora viraram alvo de averiguação: cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Rio, supostos prejuízos de R$ 50 milhões no Amazonas, R$ 400 milhões da Amprev em Letras Financeiras do Master, além de perdas investigadas em fundos de Maceió e do município de São Roque. As apurações buscam entender se gestores públicos autorizavam operações de alto risco sem controles de governança adequados, uma hipótese que muda o debate de responsabilidade administrativa para potencial risco fiscal e atuarial para servidores e aposentados.

No plano político, as alegações de Costa complicam a narrativa oficial do entorno de Ibaneis. O ex-governador — que deixou o cargo para concorrer nas eleições e reduziu exposição pública — negou envolvimento em irregularidades, mas a menção de mensagens cifradas no inquérito aumenta a pressão sobre sua campanha e sobre aliados que tratavam o assunto como um problema confinado ao mercado financeiro. Para governos estaduais, a investigação representa um alerta duplo: risco jurídico para gestores e custo político imediato pela percepção de fragilidade na gestão de recursos públicos.