Flávio Werneck Meneguelli, policial federal com 20 anos de carreira e diretor de Estratégia Sindical da Fenapef, afirma que o esquema ligado ao Banco Master surpreende pelo volume dos recursos movimentados. A federação, que reúne cerca de 14 mil filiados, acompanha as fases da apuração e aponta um impacto inédito ao sistema financeiro.
Segundo Werneck, as investigações da Operação Compliance Zero estimam prejuízos que podem alcançar R$ 500 bilhões, cifra que inclui perdas correlatas ao Banco de Brasília (BRB), cujo impacto individual é calculado em torno de R$ 48 bilhões pela apuração. O dirigente critica a decisão local que autorizou a compra do Master pelo BRB, contrariando o veto técnico do Banco Central, e chama atenção para o risco de repassar custos ao contribuinte.
A investigação já entrou em sua sexta fase e há expectativa de novos desdobramentos, mas Werneck alerta que os vazamentos do material recolhido pela CPMI do INSS prejudicaram apurações sensíveis. Para a federação, o acesso indiscriminado a documentos na chamada sala cofre da Câmara compromete a colheita de provas e torna mais difícil responsabilizar autores e operadores do esquema.
Sobre a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o dirigente é categórico ao considerar o conteúdo insuficiente frente ao acervo probatório da Polícia Federal. Na avaliação dele, eventuais colaborações só terão valor se trouxerem elementos efetivos e complementares ao que já foi obtido; espera-se, ainda, que as negociações de Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, se mostrem complementares.
O caso coloca um duplo desafio: técnico, na recuperação de ativos e blindagem do sistema, e político, pela necessidade de transparência e respostas que evitem transferência de prejuízos para a população. Para a Fenapef, a continuidade das investigações e a preservação das evidências são essenciais para medir o real custo e apontar responsáveis, com impacto direto sobre a confiança e a gestão fiscal.