O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou em Pequim no domingo (31/5) e manteve encontros com autoridades chinesas ao longo de segunda-feira (1º/6). Na pauta oficial estão a ampliação do comércio bilateral e, de forma prioritária, a importação de fertilizantes que abastecem o agronegócio brasileiro.
O volume das trocas entre Brasil e China já foi expressivo: só no ano passado o comércio bilateral somou US$ 170,9 bilhões. Segundo o Itamaraty, a China responde por cerca de um quarto do fornecimento de fertilizantes ao Brasil, uma dependência que o governo busca reduzir por meio de acordos e aumento de compras diretas.
A pressão por novas fontes ganhou urgência com o fechamento do Estreito de Ormuz, ligado ao atual conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e que tem repercussões logísticas e de preço. A missão a Pequim sucede viagens recentes de Vieira a países da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão, também destinadas a garantir fornecimento.
A visita ocorre em meio a um desgaste diplomático com Washington, após a decisão americana de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas. O episódio expõe o desafio do governo de conciliar interesses comerciais com a China e o alinhamento político com os EUA. No curto prazo, a prioridade é blindar a cadeia de importação; no médio prazo, fica claro o custo político de depender de um único grande fornecedor e a necessidade de diversificação.