O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não compareceu à audiência pública realizada nesta quarta-feira (25/7) na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. Em ofício enviado à comissão, o Itamaraty informou que, "tendo em vista a variedade dos temas a serem discutidos", o período mais adequado para o comparecimento seria entre os dias 11 e 14 de agosto, sem indicar data específica. No mesmo horário da sessão, Vieira participou de reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Deputados criticaram duramente a ausência. Marcel Van Hattem (Novo-RS), segundo vice-presidente da comissão, afirmou que deixar de atender a uma convocação equivale a crime de responsabilidade, citando previsão constitucional e legislação infraconstitucional. Parlamentares também rejeitaram que o ofício não tenha sido assinado pelo próprio ministro e criticaram a falta de justificativa de agenda que demonstrasse boa-fé no atendimento ao Congresso.

Apesar da ausência, a comissão manteve a sessão para registrar oficialmente os protestos e avaliar providências. O Itamaraty ainda não apresentou explicações detalhadas sobre a falta do chanceler nem esclareceu os fundamentos da menção governamental a um possível risco de ação dos Estados Unidos contra o Brasil. A reunião do ministro com o presidente ocorre num momento sensível: os EUA divulgariam resultado de investigação comercial que pode elevar sobretaxas sobre produtos brasileiros, potencialmente impactando exportadores.

Além do desgaste institucional, a postura do governo complica a narrativa oficial sobre transparência e diálogo com o Legislativo. A indefinição de data e a coincidência de agendas elevam a pressão política sobre o Itamaraty e podem antecipar novas convocações ou medidas regimentais pela Câmara. Para o governo, o episódio acende alerta sobre custo político e comunicação no momento em que decisões externas ameaçam setores da economia.