O MDB anunciou oficialmente apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições de 2026. A adesão, articulada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi confirmada por 17 dos 27 diretórios estaduais, consolidando uma maioria favorável e aproximando o partido do bolsonarismo no momento decisivo da disputa.
A decisão representa um revés político para o presidente Lula, que vinha buscando ampliar sua base de centro para sustentar a reeleição. O MDB, historicamente fragmentado, optou agora por um alinhamento majoritário com o bloco que integra o Centrão — uma mudança relevante depois da neutralidade adotada pela legenda no primeiro turno. Ao mesmo tempo, a legenda chegou ao segundo turno visivelmente dividida: dez diretórios do Norte e do Nordeste, incluindo Pernambuco, Bahia, Pará e Alagoas, anunciaram apoio à reeleição de Lula.
Politicamente, a movimentação amplia o campo de alianças de Flávio Bolsonaro e altera o mapa de negociações para o segundo turno. Para a candidatura bolsonarista, o apoio do MDB soma estrutura partidária e capilaridade regional; para o partido, a aliança tende a abrir espaço de influência nas negociações de campanha. Do ponto de vista eleitoral, a pulverização do MDB entre as regiões reforça a importância do empacotamento de apoios estaduais na definição do resultado nacional, sobretudo em Estados-chave do Norte e Nordeste, onde parte significativa da legenda segue com Lula.
O recorte partidário também deixa implicações políticas claras: a adesão acende alerta sobre a capacidade de Lula de atrair o centro sem perder coesão, ao mesmo tempo que expõe o MDB a pressões internas e cobranças regionais. Trata-se de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva: a nova configuração obriga ambos os campos a recalcularem estratégias e prometeu influenciar diretamente o ritmo da campanha e as negociações para a etapa final do pleito.