A comissão enviada pela direção nacional do MDB para analisar a crise interna no Distrito Federal intensificou nos últimos dias uma rodada de escutas com lideranças locais. Conduzido pelo deputado federal Isnaldo Bulhões (AL), o processo ainda está em fase de levantamento e diagnóstico, segundo o próprio relator, que afirma procurar um posicionamento plural antes de encaminhar recomendações à Executiva Nacional.
Criada pelo presidente nacional Baleia Rossi a partir de requerimento de deputados como Rafael Prudente e de distritais — entre eles Jaqueline Silva, Hermeto, Iolando e Daniel Donizet —, a comissão tem como tarefa mapear divergências sobre a condução do diretório regional, hoje presidido por Wellington Luiz, e sobre as definições políticas que afetarão a estratégia para 2026. Bulhões diz ter mantido encontros com o presidente da Câmara Legislativa e com Prudente, além de outros segmentos do partido no DF.
Fontes internas ouvidas sob reserva descrevem a prática do MDB como uma combinação de escuta e elaboração de relatório técnico para subsidiar a decisão da Executiva. Não há rito rígido previsto, mas o movimento de acionar instâncias nacionais pode ser lido como um sinal de desgaste da gestão regional e como uma tentativa de neutralizar frentes que poderiam fragmentar a legenda localmente. Para Bulhões, a prioridade é construir uma saída com ampla adesão das lideranças.
Politicamente, a intervenção nacional abre a janela para duas consequências imediatas: reforçar a governança interna do partido ou aprofundar dissensos caso a solução não seja consensual. No curto prazo, o relatório que será votado em 11/6 tende a influenciar a capacidade do MDB de negociar coligações ou lançar candidatura própria em 2026, tornando a decisão da Executiva um ponto de inflexão para o futuro eleitoral e para a coerência interna da sigla no Distrito Federal.