Diretórios estaduais do MDB em três estados do Norte (Amazonas, Pará e Rondônia) e sete do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí e Paraíba) oficializaram nesta terça-feira apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao vice Geraldo Alckmin no segundo turno. Em nota conjunta, as bancadas regionais justificaram a decisão como defesa da continuidade de obras e políticas públicas que, segundo o texto, vêm gerando crescimento econômico e redução do desemprego.
O movimento vem no mesmo dia em que a Folha de S.Paulo informou sobre articulação do presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi, em favor do nome de Flávio Bolsonaro (PL), com anúncio previsto para a tarde em São Paulo. A dissidência regional, portanto, coloca em evidência uma divisão concreta entre a direção nacional e lideranças estaduais do partido, sobretudo em áreas em que o MDB mantém interlocução com governos locais e massa eleitoral ligada ao PT.
A declaração dos diretórios do Norte e Nordeste não é só simbólica: convoca prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças a ‘engajamento pleno e organizado’ na campanha, sinalizando capacidade de base territorial. Do ponto de vista eleitoral, trata-se de um envio de forças que pode reforçar a estrutura de campanha de Lula em regiões onde o PT já tem penetração, ao mesmo tempo em que complica a mensagem unificada que a direção nacional pretende transmitir.
Politicamente, a ruptura expõe uma escolha de custo para o MDB: permanecer coeso em torno de uma orientação definida pela cúpula ou acomodar realidades regionais que preferem manter vínculos com o governo federal. Para Rossi, a movimentação aumenta a pressão interna e exige recalibragem rápida de estratégia. Para o campo governista, a adesão regional fortalece a narrativa de continuidade; para a oposição, evidencia fragilidade de articulação entre partidos aliados. O desfecho promete repercussão nas negociações que antecedem o segundo turno.