O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira, em evento da Apex Brasil em Brasília, que não enxerga uma crise diplomática entre Brasil e Argentina após as declarações do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL, em São Paulo. Na ocasião, Milei fez críticas duras ao Executivo brasileiro e ao Supremo, e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Rosa disse acreditar que os episódios não devem afetar as negociações comerciais entre os países e procurou transmitir normalidade nas relações econômicas. A posição do Mdic representa um esforço do governo para segregar o campo político e eleitoral das tratativas comerciais, buscando estabilidade em relações que têm forte componente econômico e logística integradas.

No Ministério das Relações Exteriores, porém, a orientação foi mais cautelosa. O secretário de Promoção Comercial, Alex Giacomelli, informou que o caso foi tratado diplomaticamente — com convocação do embaixador argentino a Brasília — e que, até o momento, não houve novos fatos que alterem o relacionamento oficial. O tom reflete uma tentativa do Itamaraty de administrar o episódio sem escalada.

Politicamente, a redução do episódio a um problema contornável preserva a agenda comercial, mas não elimina riscos reputacionais e potenciais custos políticos. Ao minimizar o impacto, o governo evita repercussões imediatas que poderiam prejudicar exportadores e cadeias de suprimento, mas mantém aberta a necessidade de vigilância caso novos episódios ampliem a tensão bilateral.