A equipe médica que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro avalia a possibilidade de um novo procedimento cirúrgico para tentar conter crises recorrentes de soluço, informou a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo. A hipótese ganha relevo justamente quando vence, nesta quinta-feira (25/6), o período da prisão domiciliar humanitária autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Dirigentes do PL ouvidos pela reportagem disseram que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou a aliados que o médico responsável pelo tratamento está em contato com especialistas nos Estados Unidos. Segundo esses relatos, caso haja perspectiva concreta de melhora, a intenção é que o procedimento seja conduzido por profissionais americanos.
O pedido de renovação da prisão domiciliar foi protocolado pela defesa na terça-feira (23). Os advogados anexaram recomendação de novos exames para monitorar uma pneumonia broncoaspirativa e investigar condições que aumentam o risco de aspiração — entre elas, esofagite erosiva, gastrite crônica, refluxo gastroesofágico e episódios persistentes de soluço.
O contexto jurídico é sensível: Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses após condenação pela Primeira Turma do STF por participação na tentativa de golpe e crimes relacionados aos atos antidemocráticos. Preso desde novembro de 2025, ele foi transferido para prisão domiciliar em março, após internação para tratamento de broncopneumonia. A decisão sobre prorrogação agora cabe a Moraes.
Além da dimensão clínica, a movimentação médica e o pedido da defesa têm impacto político e institucional. A renovação do benefício dependerá da avaliação técnica apresentada, mas a situação também reabre o debate público sobre privilégios, estratégia jurídica da defesa e os limites entre saúde e processamento penal em um caso de forte carga política.