A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira confirma um cenário de risco para o campo governista: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em três indicadores centrais da disputa presidencial. No levantamento realizado entre 4 e 7 de setembro (1.500 entrevistas; margem de erro de 2 pontos; registro TSE BR-07935/2026), o primeiro turno espontâneo marca 30,7% para Lula e 28,0% para Flávio. No cenário estimulado, o petista tem 38,4% ante 37,3% do senador. No segundo turno, o empate não é só técnico: 46% a 46%.

O resultado representa uma inversão clara em relação a agosto. Na rodada anterior da série de nove meses, Lula liderava todos os cenários: 34,4% no espontâneo contra 23% de Flávio, 43% a 35% no estimulado e 48,5% a 43% no segundo turno. Agora, o petista registra seu pior desempenho na série (38,4% no estimulado) enquanto Flávio alcança o maior patamar. A pesquisa também aponta paridade na rejeição — 46,6% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 45,7% que rejeitam Flávio — e mostra mudanças na geografia do voto: Lula melhor entre mulheres e eleitores de baixa renda; Flávio à frente entre homens e faixas de renda mais altas.

Além do duplo movimento de queda do líder e subida do adversário, o levantamento destaca candidatos menos expressivos em crescimento: Augusto Cury aparece com 6,6% no estimulado, avanço frente a 1,7% em agosto; Renan Santos e Ronaldo Caiado marcam 4% cada. Entre as razões de rejeição mencionadas, casos de corrupção lideram, apontados por 48,5% dos que rejeitam algum candidato. Esses números, tomados em conjunto, explicam por que a pesquisa é lida como um sinal de alerta: erosão de vantagem, dispersão do eleitorado e alta rejeição a ambos reduz a margem de segurança para um eventual campeão em primeiro turno.

Do ponto de vista político, o quadro impõe pressões concretas. Para o governo e o PT, o empate triplamente confirmado acende a necessidade de mobilização mais intensa do eleitorado tradicional e de contenção dos fatores que alimentam a rejeição. A aproximação numérica de Flávio amplia o custo político da continuidade do momentum de campanha do adversário e exige reajuste de mensagem, foco em grupos decisivos (mulheres e baixa renda) e coordenação na base. Para a oposição, o resultado legitima a estratégia de busca por eleitores de centro e renda mais alta. A pesquisa, que é retrato do momento e não previsão, reduz a margem de erro político a menos de um mês da eleição e torna o desfecho mais incerto — com impacto direto no comportamento de partidos, aliados e mercado eleitoral.