A pesquisa do instituto Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vantagem no cenário de segundo turno para 2026, com 46,5% das intenções de voto ante 41,4% do senador Flávio Bolsonaro. A diferença de 5,1 pontos está acima da margem de erro do levantamento (2,5 p.p.), reforçando a liderança de Lula, mas não eliminando a competitividade da disputa. O estudo ouviu 1.500 eleitores por telefone entre 23 e 27 de maio e está registrado no TSE (BR-02918/2026-BRASIL).

O recorte regional evidencia a fragmentação do mapa eleitoral. Flávio Bolsonaro lidera no Centro-Oeste (47,5% a 35,8%) e no Sul (52,3% a 34,1%), enquanto Lula domina o Nordeste com folga (58% a 31,4%). No Sudeste, a disputa aparece mais equilibrada, com Lula em 45,3% contra 42,7% de Flávio. Esses contrastes expõem um jogo regionalizado que obriga estratégias distintas: para Lula, consolidar ganhos no Sudeste e reduzir perdas no Sul; para Flávio, transformar forças locais em vantagem nacional.

O levantamento também traz diferenças marcantes por religião e idade. Entre evangélicos, Flávio obtém 66,6% das intenções, contra 22,9% de Lula; entre católicos, o presidente aparece com 56,7% ante 31,8% do senador. Por faixa etária, Lula lidera entre os mais jovens (48,6% entre 16 a 24 anos) e mantém vantagem nas demais faixas, embora no grupo de 25 a 34 anos haja empate técnico (44% para cada). No cenário de primeiro turno, Lula tem 38,5% e Flávio 31,5%; outros nomes aparecem com percentuais baixos e 10,5% ainda não sabem em quem votar.

Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta para ambos os lados. Para o governo, a liderança no segundo turno reduz riscos imediatos, mas a clara concentração de apoio de Flávio em regiões e grupos religiosos estratégicos amplia a necessidade de resposta tática e de fortalecimento da base fora do Nordeste. Para a oposição e o bolsonarismo, o desempenho no Sul e entre evangélicos mostra capacidade de mobilização, mas a largura da vantagem de Lula e o nível de eleitores já decididos (62%) indicam que ainda há caminho a percorrer. Com 38% de eleitores que admitem mudar de posição, a disputa permanece aberta e sujeita a resposta de campanhas, alianças e mensagens eleitorais nos próximos meses.