A composição da CPI do Crime Organizado no Senado registrou alterações às vésperas da votação do relatório final. Três mudanças foram formalizadas horas antes do início da sessão que analisará o documento elaborado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), o qual pede o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Foram substituídos os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES); em seus lugares assumiram Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). A troca, que incluiu ainda movimentação entre titulares e suplentes, retira dois nomes identificados à oposição e amplia a presença de senadores do PT na comissão, o que tem efeito direto sobre a dinâmica do plenário e a percepção pública da imparcialidade do colegiado.

A reação do decano do Supremo, questionando a competência da CPI para propor indiciamentos contra magistrados, já havia sido registrada, quando disse que o pedido extrapola limites legais da comissão. O relatório, apesar de se apresentar no bojo das investigações sobre crime organizado, concentra responsabilidades em quatro autoridades e não amplia pedidos de indiciamento a outros investigados citados nas apurações.

A alteração de última hora na lista de membros acende alerta sobre pressão política e estratégia parlamentar às vésperas de um voto sensível. Mais do que um ajuste técnico, a mudança pode complicar a narrativa da CPI, reduzir a margem de contestação ao relatório e elevar questionamentos sobre a lisura do processo. A votação do texto final está marcada para esta terça-feira, e o desfecho terá repercussões institucionais e políticas imediatas.