O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça manteve a decisão em suspenso enquanto aguarda o parecer da Procuradoria‑Geral da República sobre a nova proposta de colaboração do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. A definição envolve não apenas o conteúdo da delação, mas também a condição prisional do investigado, atualmente custodiado na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília.
A Polícia Federal passou a defender a transferência de Vorcaro para o sistema prisional comum após rejeitar uma segunda versão da colaboração oferecida pela defesa. Segundo apurações, a corporação considerou insuficiente a apresentação de informações inéditas que justificassem a permanência do investigado em dependências da PF, mudando o quadro que vigorava desde a prisão preventiva em 19 de março.
Cabe à equipe do procurador‑geral, Paulo Gonet, avaliar se os novos anexos e relatos apresentados pela defesa agregam elementos relevantes à investigação. Na proposta reformulada, Vorcaro detalha supostos mecanismos de influência política para viabilizar investimentos bilionários de fundos de previdência estaduais em ativos ligados ao Banco Master. A expectativa é de que a PGR se posicione nos próximos dias sobre continuidade ou rejeição definitiva do acordo.
A decisão da PGR acende alerta institucional: caso a colaboração seja recusada, Vorcaro seguirá respondendo às investigações sem os benefícios de um acordo e a defesa já sinalizou pedidos alternativos — conversão da preventiva em domiciliar ou monitoramento eletrônico. No curto prazo, o parecer definirá também se a PF concretiza a transferência, um desfecho com impacto sobre a dinâmica das apurações e a gestão de riscos políticos em torno do caso.