O ministro André Mendonça antecipou seu voto no Supremo Tribunal Federal (STF) e se posicionou contra a realização de eleição direta para preencher a vaga de governador do Rio de Janeiro. Ao acompanhar a divergência aberta pelo ministro Luiz Fux, Mendonça mudou o placar parcial para 2 a 1 a favor da eleição indireta com voto secreto, mesmo após existir pedido de vista no caso.
Em seu voto, o ministro rejeitou a tese de que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, em 23 de fevereiro, configuraria um “estratagema” para evitar eventual cassação no Tribunal Superior Eleitoral. Para Mendonça, tratou‑se de desincompatibilização legítima para disputar o Senado, ocorrida 12 dias antes do prazo fixado pela Lei Complementar 64/90. Ele citou ainda precedentes e movimentos semelhantes: 11 governadores, 17 ministros e 10 prefeitos de capitais deixaram cargos no mesmo ciclo em preparação para 2026, além de exemplos pontuais como Romeu Zema e Fernando Haddad.
A renúncia teve motivação política legítima e foi ato de desincompatibilização para concorrer ao Senado.
Um dos eixos centrais do voto foi a avaliação custo‑benefício. Mendonça apontou estimativa técnica de gasto de cerca de R$ 100 milhões para organizar uma eleição direta — valor que, segundo ele, não inclui alimentação de mesários — e invocou riscos logísticos diante do fato de o Rio ser o terceiro estado mais populoso do país. No calendário apontado pelo ministro, uma votação direta ocorreria em 21 de junho, com prazo extremamente curto até o segundo turno geral em 8 de novembro, o que deixaria o eventual mandato eleito como “reduzidíssimo”.
A argumentação fiscal e operacional tem peso óbvio em um país que debate responsabilidade nos gastos públicos. Ainda assim, a defesa da eleição indireta e do voto secreto levanta questões políticas e institucionais sobre transparência e legitimidade: escolher um governador por votação interna e sem identificação dos eleitores eleitos pode reduzir a percepção pública de representatividade e criar custo político para a solução adotada.
O julgamento no STF segue e outros ministros ainda vão proferir votos antes da decisão final. O placar parcial expõe uma linha de argumentação que privilegia eficiência administrativa e contenção de despesas, mas também inaugura um embate entre critérios fiscais e demandas por maior controle democrático — um choque com consequências políticas relevantes para o Rio e para o próprio tribunal.
O custo de uma eleição direta para um mandato-tampão chega a R$ 100 milhões e não se justifica diante do prazo reduzidíssimo.