O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o uso de geolocalização e o acesso a dados de celulares contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima no âmbito da Operação Compliance Zero. Na decisão que embasou as medidas, o magistrado citou risco de vazamento como fundamento para a urgência, observando que, no mesmo dia em que a Polícia Federal apresentou pedidos de busca, apreensão e monitoramento, recebeu um pedido de audiência de um dos alvos.
Segundo as peças que sustentaram a operação, os investigados faziam uso de linguagens cifradas e mensagens temporárias para dificultar a apuração. A Polícia Federal também apontou que deslocamentos em jatinhos de Augusto Lima teriam beneficiado o senador e membros de sua família, inclusive viagens do enteado Eduardo Mendonça Sodré Martins, classificadas pela PF como vantagens econômicas indevidas. O Correio aguarda manifestação formal do senador sobre a retirada do sigilo da decisão.
A intervenção de Mendonça acende um sinal político: Wagner, que já foi líder do governo no Senado, passa a figurar no centro de uma investigação que pode ter efeitos reputacionais e eleitorais para o PT e para as articulações no Congresso. Do ponto de vista institucional, a autorização de geolocalização indica que o STF considerou presente risco de comprometimento da investigação caso as diligências não fossem adotadas de imediato.
Na prática, os dados de localização e comunicações tendem a complementar provas já levantadas pela PF e podem embasar novas medidas cautelares ou pedidos de prisão, caso confirmem rotinas de favorecimento. A área jurídica insiste que a utilização desses recursos está sujeita a controle judicial e a limites processuais, mas a decisão reforça a escalada da apuração em torno do caso Banco Master.