O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia rejeitar o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para remeter à primeira instância os inquéritos que investigam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo interlocutores, a tendência é que a investigação continue tramitando no STF, apesar da solicitação formal da PGR apresentada na quarta-feira (19/8).

A Procuradoria, sob a gestão de Paulo Gonet, pediu a remessa após Mendonça autorizar a abertura do inquérito. O caso apura suspeitas de tráfico de influência em órgãos do governo federal, com menções a operações na Dataprev e a uma suposta tentativa de inserção de medicamentos à base de canabidiol no Ministério da Saúde.

A disputa sobre o foro tem peso político e institucional. Manter o processo no STF concentra a tramitação na Corte e pode alimentar narrativas de tratamento diferenciado, enquanto a PGR sustenta que a investigação deveria seguir em primeira instância. A decisão do ministro não implica julgamento de mérito, mas incide diretamente sobre a percepção pública e sobre a dinâmica entre Ministério Público e Supremo.

Além do aspecto jurídico, a escolha tem potencial custo político: a manutenção no STF tende a intensificar a atenção de opositores e da imprensa, e pode gerar desgaste sobre a imagem de imparcialidade do tribunal. Para o governo, o desfecho também importa em termos de ruído político e de como aliados e adversários repercutirão o caso nos próximos meses.