O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento do diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. No despacho, Mendonça fundamentou a medida em trecho de voto de Alexandre de Moraes no julgamento da ADPF 722, sob relatoria da ministra Cármen Lúcia, sobre os limites da atuação de órgãos de inteligência.
Segundo o ministro, a substituição é necessária para preservar o exercício das atribuições de ministros do STF, do Advogado‑Geral da União, Jorge Messias, e de servidores da PF, de modo que possam atuar “sem contrangimentos ilegais”. A decisão enfatiza que relatórios de inteligência não podem servir para punir ou para bisbilhotar cidadãos, mas para orientar ações relacionadas à segurança pública.
Mendonça afirma ter recebido pelo menos seis relatórios de inteligência encaminhados ao gabinete de Moraes entre 3 e 31 de agosto. Em sua avaliação, o teor desses documentos ultrapassou o acompanhamento de atividades e passou a investigar convicções religiosas de autoridades, tentando ligar uma “matriz religiosa comum” ao apoio recebido em igrejas por candidatos ao STF — e, por inferência, ao comportamento do Advogado‑Geral da União.
O ministro também citou episódio em que diz ter sido objeto de monitoramento pela inteligência da PF por mais de 30 dias. Outro documento sob sigilo, que tratava de Antonio Rueda e do ex‑prefeito ACM Neto, foi apresentado como exemplo de como a produção e a circulação de relatórios em sigilo podem interferir em procedimentos em andamento — incluindo registro de manifestações da Procuradoria‑Geral da República contrárias a medidas ostensivas.
A decisão agrava o confronto institucional entre cortes, autoridades e a Polícia Federal e acende alerta sobre os limites legais da atividade de inteligência. Além de pressionar a cúpula da corporação, o caso levanta risco de comprometimento de investigações e exige resposta clara sobre controles, regras de sigilo e responsabilidade administrativa — um teste para a credibilidade das instituições.