Durante cerimônia em sua homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça defendeu que a atuação de magistrados deve ser marcada pela imparcialidade e pela isenção. Sem citar processos específicos, ele afirmou que decisões não podem ser orientadas por proximidade pessoal ou animosidade política.

Relator de investigações de grande repercussão — entre elas apurações relacionadas ao Banco Master e a fraudes no INSS — Mendonça disse que conduzir casos sensíveis exige distanciamento e equidade. A fala ganha peso porque, como relator, ele pode ter papel em eventuais homologações ou encaminhamentos que afetem a Corte.

O magistrado deve tratar todas as partes com equidade e não decidir com base em proximidade ou inimizade.

O evento contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes e do advogado‑geral da União Jorge Messias, indicado ao STF pelo presidente. Em resposta a comentários sobre influências externas, Mendonça defendeu prudência nas relações pessoais e institucionais para evitar dúvidas sobre a conduta dos juízes.

As declarações ocorrem em meio a questionamentos envolvendo colegas do tribunal — citados em investigações que têm sido vinculadas ao banqueiro Daniel Vorcaro — e à expectativa em Brasília de que uma eventual delação do empresário possa ter desdobramentos no Supremo, cuja homologação pode passar por Mendonça. O episódio acende alerta: pressiona por maior transparência e amplia desgaste sobre a imagem da Corte.

Do ponto de vista institucional, o recado do ministro indica a necessidade de medidas concretas para blindar decisões e preservar a confiança pública. Se não for acompanhado de procedimentos claros, o apelo à isenção corre o risco de ficar no plano retórico, enquanto a percepção de conflito continua a complicar a narrativa oficial e a alimentar críticas externas.

Preservar a credibilidade do Judiciário às vezes exige renunciar a comportamentos que, embora permitidos, podem comprometer a imagem da magistratura.