O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça comunicou que deixou a sociedade do Instituto Iter e cedeu, sem qualquer contrapartida financeira, as cotas que estavam em seu nome e no da esposa. A decisão foi tomada na quarta-feira (2/9) e divulgada em nota na quinta-feira (3). Segundo o comunicado, a destinação das cotas e de eventuais valores tem caráter social e educacional.
Criado em 2024, o Instituto Iter chegou a prestar serviços para a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) sem passar por licitação pública, recebendo R$ 380 mil, conforme registrado na nota. Mendonça afirmou que jamais auferiu lucro com a entidade e que já havia decidido, no início do ano, pela cessão das cotas. Em contato com o presidente do instituto, Victor Godoy, o magistrado orientou a adoção das providências formais para sua retirada da sociedade.
A organização também será transformada em entidade sem fins lucrativos, segundo a nota, e o ministro manterá vínculo apenas para atuação acadêmica, na qualidade de professor. A mudança estrutural e a cessão gratuita das cotas servem como tentativa de blindagem reputacional, mas não eliminam o ponto central: a existência de contrato ou pagamento por serviços sem concorrência pública suscita questionamentos sobre governança e transparência.
A saída formal do ministro acende alerta sobre vínculos entre autoridades e organizações que celebram contratos com o poder público. A decisão pode reduzir ruído imediato, mas amplia a exigência por explicações públicas e prestação de contas — sobretudo sobre como foram firmadas e fiscalizadas as contratações do instituto com a prefeitura de São Paulo.