O ministro André Mendonça determinou, nesta segunda-feira (14/9), a suspensão do sigilo sobre um relatório do Coaf que detalha pagamentos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro e a seus beneficiários. A decisão atende pedido do presidente do STF e chega em um momento de máxima tensão interna, com ministros reclamando de acesso desigual a provas relevantes para o julgamento marcado para terça-feira (15/9).
Além do relatório do Coaf, gabinetes de ministros confirmaram ter recebido da Polícia Federal cópias dos dados extraídos do celular de Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido pela PF. Nos últimos dias, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin encaminharam ofícios ao presidente do STF solicitando acesso completo às informações, alegando que só assim seria possível avaliar integralmente os fatos que serão discutidos na sessão.
Mendonça já havia defendido que o material indispensável ao julgamento estaria disponível aos pares e sustentou que a liberação indiscriminada poderia prejudicar o andamento das investigações. A PF, por sua vez, informou que o conteúdo original permanece sob cadeia de custódia na instituição, com lacres e mecanismos de verificação, e que é tecnicamente possível produzir cópias idênticas, embora a extração encaminhada anteriormente a Mendonça não corresponda ao arquivo original.
O episódio expõe um ambiente de desgaste entre ministros e levanta dúvidas sobre critérios e transparência na gestão de informações sensíveis no próprio Supremo. Alexandre de Moraes chegou a apontar uma seleção parcial na retirada de sigilo por parte de Mendonça, enquanto outros magistrados insistem na necessidade de acesso amplo para evitar decisões tomadas com visão incompleta. A disputa complica a narrativa institucional e acende alerta sobre o custo político de procedimentos percebidos como seletivos.
Com a sessão agendada para terça, o tribunal terá de conciliar duas demandas contraditórias: a pressão por transparência de membros da Corte e a necessidade de preservar a integridade de investigações em curso. A decisão de Fachin sobre eventuais acessos complementares e o modo como o plenário tratará os documentos serão determinantes para o desfecho e para a imagem do STF diante da opinião pública.