O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção em 24 horas de um vídeo criado por inteligência artificial que estabelece ligação entre o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As imagens, claramente fictícias, mostram os dois em cenas de intimidade e em situações que simulam transporte de dinheiro. O responsável pela página no Instagram foi notificado para cumprir a decisão judicial.

No despacho, Mendonça apontou indícios de deepfake — prática vedada no período eleitoral — e considerou que, mesmo quando apresentada como sátira, a peça precisa se enquadrar nas regras da lei eleitoral. A Meta, controladora do Instagram, recebeu intimação para fornecer ao Tribunal os dados do criador da página; um site de financiamento coletivo usado pela página também terá de repassar informações ao Judiciário. A medida busca identificar autores e responsáveis pela divulgação.

A decisão reforça a atuação do TSE diante da escalada de conteúdos manipulados por IA no ambiente eleitoral. Além do efeito imediato de remover o material, a intimação às plataformas mostra que o Judiciário pretende usar ferramentas processuais para responsabilizar quem produz e dissemina desinformação. Para campanhas e atores políticos, o episódio é um aviso de que peças fabricadas podem gerar resposta rápida e rastreamento judicial.

Politicamente, o caso ilustra como a tecnologia altera o risco reputacional em véspera de disputa presidencial: uma imagem manipulada, mesmo sem veracidade, tem potencial de influenciar opinião e pautar debate. A decisão de Mendonça acende alerta sobre a necessidade de controle e transparência das plataformas, e sobre o custo político de campanhas que dependam da manipulação digital para construir narrativas. Brasília, DF.