O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou nesta segunda-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues e o PT retirem ou editem vídeos nas contas oficiais do partido no YouTube. A decisão atende parcialmente representação do partido Novo, que apontou propaganda eleitoral antecipada em trechos do discurso proferido na convenção estadual do PT, em Salvador, no dia 1º de agosto. A Corte fixou prazo de 24 horas e comunicou a plataforma sobre a ordem.
Mendonça separou o direito de realização de convenções partidárias — que podem apresentar candidaturas — do uso desses eventos para pedidos expressos de voto, que, segundo o ministro, extrapolam o permitido fora do período oficial de campanha. Na análise, a irregularidade não depende de palavras específicas: foram citadas falas do presidente em que ele solicita apoio para nomes do PT e diz precisar de "dois votos" em referência a pré-candidaturas ao Senado, ligações que embasaram a representação.
A decisão tem efeito prático imediato sobre o material disponível e político sobre a relação entre o Executivo e a Justiça Eleitoral. Se não for tecnicamente possível editar apenas os trechos apontados, todo o vídeo deverá ser excluído, o que força ajuste na estratégia de comunicação do PT. Para a oposição, o caso reforça a vigilância sobre manifestações pré-eleitorais; para o governo, amplia desgaste e complica a narrativa em torno de movimentações políticas antes do período oficial.
Além do aspecto jurídico, a medida funciona como sinal de que o TSE seguirá atento a conteúdos que misturem atos partidários e pedidos de voto. O episódio não decide disputas futuras, mas marca o ambiente de controle institucional nas vésperas da corrida eleitoral e pressiona partidos e plataformas a calibrar mensagens públicas em eventos internos.