O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República pedido de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O despacho reiterou rito obrigatório: o STF não pode instaurar inquérito a partir de notícia-crime sem a análise prévia da PGR, que terá de emitir parecer pela abertura ou arquivamento.

A notícia-crime foi apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) com base em gravações divulgadas pelo portal Intercept Brasil. Segundo as peças juntadas à denúncia, o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o deputado Eduardo Bolsonaro atuaria como produtor executivo, responsável pela gestão dos repasses. A denúncia levanta a hipótese de que doações à produção possam ter sido desviadas em benefício da família Bolsonaro.

O caso chegou a Mendonça após decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Inicialmente sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no inquérito sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o processo foi redistribuído porque a Secretaria Judiciária identificou conexão com investigações já em curso sobre o Banco Master. Como Mendonça já relata outros processos envolvendo a instituição financeira, Fachin determinou que ele conduzisse também este desdobramento.

Agora a continuidade depende do parecer do procurador-geral Paulo Gonet. Politicamente, o episódio amplia complexidade para os integrantes da família Bolsonaro que aparecem nas apurações: trata-se de nova frente que pode gerar desgaste reputacional e de narrativa, caso a PGR recomende o prosseguimento. Juridicamente, o caso testa a interface entre apuração criminal, transparência no financiamento de obras e a responsabilidade de atores públicos em torno de recursos privados.