O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça não compareceu à cerimônia da Medalha da Inconfidência realizada em Ouro Preto (MG) nesta terça‑feira (21/4). A ausência ocorreu no mesmo evento em que o ex-governador mineiro Romeu Zema, já candidato a presidente, foi homenageado — e acontece em meio ao clima de atrito público entre o político e a Corte.
Zema deixou o governo de Minas em 22 de março para disputar a Presidência e vem protagonizando embates frequentes com integrantes do STF. Na semana passada, ele defendeu publicamente a prisão de ministros e afirmou que a Corte atravessa processo de deterioração, críticas que ampliaram o desconforto institucional entre o ex-governador e os magistrados.
A tensão escalou após a divulgação, por Zema, de um vídeo satírico com fantoches que caricaturavam Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Em reação, Gilmar apresentou notícia‑crime a Alexandre de Moraes, pedindo a inclusão de Zema no inquérito sobre fake news; Moraes enviou a manifestação à Procuradoria‑Geral da República, que ainda não se manifestou oficialmente.
A ausência de Mendonça na cerimônia, ainda sem explicação pública, assume dimensão política: sinaliza distância num momento em que a relação entre Executivo em campanha e Judiciário já aparece desgastada. Para Zema, o episódio e a investigação representam risco de judicialização de sua retórica de campanha; para o STF, a sequência de ataques e provocações tende a reforçar a reação institucional. O episódio acende alerta sobre o grau de polarização entre atores públicos e sobre o custo político da escalada retórica.