O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou nesta sexta-feira (21/8) que a Polícia Federal investigue vazamentos relacionados às apurações sobre Fábio Luís da Silva, o Lulinha. A medida atendeu a pedido da defesa do empresário, que é alvo de três inquéritos por suposto tráfico de influência envolvendo o Ministério da Saúde e a DataPrev.
Na decisão, Mendonça qualificou os episódios como "objeto de veiculação indevida" e deixou claro o recorte da apuração: a investigação não deve mirar jornalistas ou veículos que deram publicidade às informações. O foco, segundo o ministro, é identificar quem teve acesso original aos dados sigilosos e tinha o dever de preservar o conteúdo.
Ao reforçar a proteção ao sigilo da fonte jornalística, o ministro também desloca a mira para custodiante(s) de informações dentro de órgãos ou sistemas que tratam de dados sensíveis. Essa delimitação abre espaço para responsabilizar servidores ou agentes públicos que eventualmente tenham violado regras de guarda e acesso aos sistemas, como a DataPrev.
A decisão combina proteção da atividade jornalística com maior pressão sobre a manutenção e fiscalização de repositórios de dados oficiais. Para além do aspecto técnico, o caso mantém atenção política: envolve o filho do presidente e tende a alimentar debate sobre segurança de informações, responsabilidade administrativa e os limites entre investigação e exposição pública.