O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça indeferiu, nesta quinta-feira (25/6), o pedido de conversão da prisão preventiva de Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — em prisão domiciliar. A decisão fixa prazo de 24 horas para a transferência do investigado da Superintendência da Polícia Federal no DF para o 19º Batalhão da Polícia Militar, o Papudinha, e determina absoluta incomunicabilidade com outros presos vinculados à Operação Compliance Zero.

Mendonça justificou a manutenção da segregação cautelar pela necessidade de mitigar riscos de interferência na colheita de provas e na continuidade de estratégias de ocultação e blindagem patrimonial. A Polícia Federal informou que as negociações de colaboração premiada foram encerradas em 10 de junho. No inquérito há menção a movimentações patrimoniais recentes atribuídas ao pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, que a PF avalia como compatíveis com tentativas de deslocamento de ativos.

A decisão também leva em conta dificuldades operacionais apontadas pela PF para manter o custodiado por prazo prolongado na superintendência e o risco à integridade física caso fosse alocado em cela comum, dada a exposição midiática do caso. A Procuradoria-Geral da República ressaltou que a prisão já fora referendada pela Segunda Turma do STF e não houve fatos novos que motivassem a soltura. A direção do 19º BPM foi orientada a comunicar imediatamente o juízo sobre qualquer episódio de ameaça ou coação.

Do ponto de vista político e institucional, a medida mantém pressão sobre os investigados e complica eventuais renegociações de colaboração, ao mesmo tempo em que sinaliza postura mais cautelosa do Judiciário e da PF diante de indícios de blindagem de patrimônio. A decisão preserva a capacidade investigativa, mas reabre o debate sobre logística e segurança no tratamento de presos de alta exposição e sobre o impacto reputacional para o setor financeiro envolvido.