O ministro André Mendonça pediu destaque e interrompeu, nesta sessão virtual do Tribunal Superior Eleitoral, o julgamento sobre a remoção de um vídeo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido ocorreu quando o placar estava 4 a 3 a favor da manutenção do material no horário eleitoral, já com maioria formada em sentido contrário à determinação de Mendonça.

O caso discute um vídeo em que a campanha do PT associa o chamado “tesouraço” atribuído a Flávio Bolsonaro à redução de recursos em programas como Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida e Mais Médicos. Mendonça havia determinado a retirada do ar ao interpretar que a expressão se referiria a cortes na estrutura administrativa e redução de cargos, argumento que não convenceu a maioria do plenário virtual.

Com o destaque, todos os votos terão de ser reiniciados no plenário físico, e a nova data será agendada pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, apontado como aliado de Mendonça. Na prática, a suspensão anula o resultado virtual e adia uma resolução definitiva sobre a legalidade do conteúdo eleitoral.

A interrupção expõe divergências internas na Corte e tem implicações políticas claras: além de prolongar a controvérsia, o recomeço do julgamento amplia a disputa pública sobre interpretação de conteúdos eleitorais e sobre o papel dos ministros. Procedimentalmente, o episódio também levanta dúvidas sobre uso do destaque para mudar o rumo de votos já formados — e amplia o risco de politização em um tribunal chamado a arbitrar conflitos sensíveis na campanha.