O ministro André Mendonça, relator dos inquéritos que apuram o caso Banco Master e fatos relacionados ao INSS, afirmou em 14/8 que pretende conduzir as investigações com “imparcialidade” e rigor técnico. A declaração, feita no âmbito do Supremo Tribunal Federal, busca marcar um recado institucional: decisões judiciais, disse o ministro, devem se fundar nas provas dos autos e respeitar o contraditório e a ampla defesa.

Ao assumir o papel de relator, Mendonça qualificou a investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como uma das mais emblemáticas em tramitação e enfatizou a responsabilidade do Judiciário diante da atenção pública. “Meu papel é ser imparcial”, afirmou o ministro, sintetizando uma postura que pretende dissociar a atuação judicial de disputas políticas. A ênfase no uso exclusivo das provas e das garantias processuais tenta responder, na prática, a cobranças por segurança jurídica e previsibilidade na Corte.

Meu papel é ser imparcial, acho que esse é o meu papel. Quanto mais eu me mantiver nesse eixo, acho que vou corresponder aquilo que a Constituição espera de mim

O próprio ministro citou a experiência da Operação Lava-Jato como elemento de cautela: episódios dessa operação demonstraram, segundo Mendonça, a necessidade de preservar instituições evitando erros que possam macular investigações e sentenças. Nesse ponto, a mensagem tem dupla leitura: é um apelo à técnica judicial e, ao mesmo tempo, um reconhecimento tácito dos riscos políticos e institucionais quando processos de grande repercussão avançam sob forte pressão pública e midiática.

A defesa de um código de ética para ministros do STF — proposta encampada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e discutida pela ministra Cármen Lúcia — aparece como tentativa de restaurar confiança e impor padrões de transparência sobre participação em eventos e prevenção de conflitos de interesse. A iniciativa, no entanto, enfrenta resistências internas e pode ter seu calendário condicionado a negociações entre os pares e ao calendário eleitoral, o que expõe fragilidades políticas ao buscar avanços precisamente em ano de maior sensibilidade pública.

Do ponto de vista político e institucional, a postura de Mendonça sinaliza a prioridade do Judiciário em preservar credibilidade no curto prazo; mas também abre uma janela de conflito sobre como equilibrar celeridade, técnica e visibilidade pública. Para além da retórica, a consistência desse compromisso será testada na forma como provas, prazos e medidas cautelares forem tratadas nos processos Master e INSS — casos com potencial de repercussão política e de impacto na percepção pública sobre a imparcialidade do Supremo.