O ministro André Mendonça reagiu nesta quarta-feira à ofensiva pública do decano Gilmar Mendes sobre a condução do caso Banco Master e transformou a troca de farpas em argumento a favor de limites de conduta no Supremo. Em nota do gabinete, Mendonça sustentou que a legislação — citando o artigo 36, inciso III, da Loman — veda comentários públicos de magistrados sobre processos em andamento, e negou ter recorrido a ameaças ou linguagem imprópria para influenciar julgamentos.
A reação do ministro não ficou apenas na defesa pessoal: Mendonça afirmou que o pedido de levantamento do sigilo veio de quem, na visão dele, havia defendido anteriormente a publicidade irrestrita. Ao mesmo tempo, anunciou apurações sobre vazamentos ocorridos durante o caso, incluindo investigação específica diante da suspeita de eventual participação de um servidor da Polícia Federal na divulgação de informações.
No contraponto, Gilmar Mendes havia criticado nas redes a postura do relator, afirmando que o episódio demonstra busca de ganho político e falta de imparcialidade. A divergência pública entre ministros — uma sobre exposição de atos processuais e outra sobre seletividade das reações a vazamentos — amplia a percepção de tensão interna e alimenta dúvidas sobre a uniformidade de procedimentos no tribunal.
Mendonça aproveitou a nota para defender a criação de um código de ética específico para o STF, com regras claras sobre o comportamento de ministros dentro e fora da Corte e sobre o relacionamento entre pares. Ao invocar trechos do discurso do presidente da Corte, Edson Fachin, ressaltou a necessidade de preservar a institucionalidade, o decoro e a serenidade do tribunal.
O episódio tem efeito prático e simbólico: além de elevar a pressão por normas disciplinares que limitem arbítrios e protejam a imagem da Corte, a disputa pública pode custar capital político ao próprio Supremo, abrindo espaço para questionamentos sobre transparência seletiva e tratamento de informações sensíveis. A proposta de um código de ética surge, assim, como tentativa de conter desgaste e restabelecer regras de convivência entre ministros.