O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça afirmou, nesta terça-feira, que foi procurado por um advogado com uma proposta que classificou como 'delação seletiva' e que rejeitou imediatamente a iniciativa. A declaração ocorreu durante sessão da Segunda Turma que manteve a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, ligados ao ex-dono do Banco Master, e foi feita em resposta a críticas do ministro Gilmar Mendes.
Mendonça disse não participar de negociações de acordos de colaboração premiada e ressaltou que essa é atribuição do Ministério Público. Segundo o ministro, ele optou por não acessar o teor de uma proposta apresentada pela defesa para não comprometer sua futura atuação no processo. Também alertou para movimentos que, em sua avaliação, buscam criar um 'vício' na investigação por meio de estratégias articuladas.
A fala expõe uma tensão institucional sensível: por um lado, a necessidade de preservar a integridade das investigações e a imparcialidade do Judiciário; por outro, o papel central do Ministério Público na negociação de colaborações. A menção de Gilmar Mendes — de que juízes não devem comportar-se como delegados — reforça o debate sobre limites éticos e processuais quando magistrados são alvo ou interlocutores de acordos apresentados por defesas.
Politicamente, o episódio acende alerta para a Corte e para atores envolvidos no Caso Master. A percepção de que peças processuais possam ser instrumentalizadas tende a alimentar críticas sobre transparência e controle institucional. Se confirmada a existência de tentativas organizadas de 'delação seletiva', aumentará a pressão por clareza procedimental e por salvaguardas que protejam a confiança pública nas decisões judiciais.